Salve, capoeira!

Da edição
por: Débora Kist
Data: 02/08/2018 | 10:50

Amanhã, 3 de agosto, é celebrado o dia do capoeirista. Embora popularizada no Brasil, a data ainda não está nacionalizada, apesar de existirem Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional. Fato é, que atualmente a capoeira tem destaque e reconhecimento na agenda política, social e cultural no Brasil e em mais de 150 países. Desde 2008, por iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Ministério da Cultura, a capoeira foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial brasileiro.

Na edição de hoje, o Na Pilha! te convida a conhecer um pouco mais sobre essa prática, que mistura dança, luta e esporte. Trazida nos porões dos navios negreiros durante o Império, passando à prática proibida no início da República, até ser liberada e devidamente tratada como arte e cultura e respeitada mundo afora, a capoeira conta com diversos adeptos.

Em Venâncio Aires, através de oficinas com jovens, a capoeira tem feito parte da rotina de muita gente. Entre os projetos, apresentamos aqui um desenvolvido pela ONG Alphorria e outro que acontece na Escola Crescer.

Muito mais que um esporte

Jeferson Gabriel Ribeiro dos Santos tem 17 anos e é estudante do curso Técnico em Informática integrado ao ensino médio no IF Sul de Venâncio Aires. Ele conta que iniciou na capoeira há cerca de dois anos e depois que começou a entender que era muito mais que um esporte, se apaixonou. 'Faz um tempo que encontrei na ONG Alphorria um grupo de capoeira fantástico, com um professor exemplar. Eu pratico a capoeira, pois ela já se tornou parte na minha vida. Muito do que sou hoje, como cientista e ator, tenho a atribuir à disciplina e conhecimento próprio que a capoeira proporciona', destacou Jeferson.

O estudante ressalta ainda que a capoeira é uma forma de ensinar como é a vida e um grande instrumento que favorece a luta contra o racismo. 'Em uma roda de capoeira, todo mundo é tratado da mesma forma. Cada pessoa com sua peculiaridade, com o intuito de somar forças para um axé revigorante.'

Foto: Régis Fabris / Folha do MateJeferson pratica capoeira há dois anos
Jeferson pratica capoeira há dois anos

ONG Alphorria desenvolve projeto de capoeira há quatro anos

A capoeira é uma expressão cultural que mistura esporte, cultura popular e música. Ela teria surgido no fim do século XVI, no Quilombo dos Palmares. Conforme Ana Landim, integrante da ONG Alphorria de Venâncio Aires, a entidade trabalha a cultura afro e, sendo assim, não poderia deixar de ter, entre suas oficinas, a capoeira, que foi desenvolvida por descendentes de escravos africanos.

Desde 2014, a ONG oferece oficinas de capoeira, que abrangem a compreensão e vivência do significado cultural e filosófico desta arte, seus elementos técnicos e táticos básicos.
As oficinas são realizadas na sede da ONG Alphorria, localizada na rua Cláudio Reckzieguel, sendo ministradas pelo professor Adriano da Conceição, nas quintas-feiras, à partir das 18h30min e aos sábados, às 15h30min, tendo em torno de 30 participantes, divididos nas aulas da semana.

Oficinas na Escola Crescer

Desde maio deste ano, os alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Crescer, do bairro Coronel Brito, participam de uma proposta diferente ao sair da rotina da sala de aula para realizar oficinas de capoeira. Através do Programa Juventude Assistida, da Fundação Maçônica Educacional, os alunos do 5º ao 8º ano da escola foram contemplados com atividades extraclasse, ao conhecer mais sobre a história e a prática da capoeira. O projeto vai até dezembro e inclui ainda outras atividades, como oficinas de esportes, teatro, música e dança, produção textual e xadrez.

Segundo a diretora do Crescer, Suzana da Rosa, os alunos estão bem motivados com a proposta. 'Toda atividade vem a contribuir na formação dos estudantes. A promoção de ações diferenciadas daquelas que são realizadas em sala de aula têm o propósito de incentivar os alunos a conhecer e realizar novas práticas relacionadas ao esporte, à cultura e à arte.' Ela acrescenta que, no decorrer do programa, as turmas foram ampliadas para contemplar um número maior de estudantes. 'As oficinas eram realizadas com os alunos do 6º ao 8º anos, mas como o interesse foi aumentando, estendemos também para o 5º ano.'

A diretora salienta que após o período de férias, haverá outra mudança na programação das oficinas de capoeira para que os estudantes dos anos iniciais também possam participar do programa.

As oficinas são realizadas pelo professor de capoeira Adriano Rodrigues da Silva, todas as terças-feiras, no período da manhã e tarde. A prática ocorre durante a aula e as professoras do período acompanham os estudantes. Em média, 60 alunos têm participado da atividade, que proporciona conhecimento, curiosidade e motivação. 'Queremos despertar o interesse dos alunos através de diferentes práticas, para que eles se sintam ainda mais motivados para vir à escola.'

Foto: Divulgação / Escola CrescerContramestre Adriano da Silva é o responsável pelas oficinas na escola Crescer
Contramestre Adriano da Silva é o responsável pelas oficinas na escola Crescer

Você sabia?
A música é um componente fundamental da capoeira. Segundo Ana Landim, ela foi introduzida como forma de ludibriar os escravizadores, fazendo-os acreditar que os escravos estavam cantando e dançando, quando na verdade também estavam treinando golpes para se defenderem. A música determina o ritmo e o estilo do jogo que é jogado durante a roda de capoeira. O principal instrumento e mais conhecido é o berimbau. Os demais são pandeiro, atabaque e caxixi.