Na Pilha!

A poesia e o poder de se reinventar em sala de aula

Da edição
por: Taiane Kussler
Data: 21/03/2018 | 18:30

Caneta na mão e ideias na cabeça, talvez este seja o melhor momento para escrever uma poesia. Não é preciso ter rima, nem atingir a perfeição ao equilibrar os versos e frases, basta usar a criatividade e a inspiração. Parece simples, mas na hora de colocar os pensamentos em prática, você talvez não consiga transferi-los para o papel. Isso já deve ter ocorrido antes, não é mesmo? Keep calm, não é o momento para desistir, reflita, pense e deixe as emoções falarem mais alto, que as palavras vão surgir com fluidez e a escrita vai se tornar prazerosa e envolvente, assim como a leitura quando mergulhamos no universo dos livros.

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No dia 21 de março, é o Dia Mundial da Poesia, e o principal desafio é incorporá-la em sala de aula e atrair o olhar dos alunos, que muitas vezes a consideram como um 'bicho de sete cabeças'. Para que isso aconteça, é preciso se reinventar e criar novas práticas pedagógicas para inseri-la no dia a dia dos estudantes, fazendo dela, um hábito, assim como as outras disciplinas. De acordo com a a professora do Instituto Federal Riograndense, Joseline Tatiana Both, na verdade ela deveria ser vista como parte do cotidiano. "A linguagem deve ser vista como algo próximo de nós, dos alunos", considera.

E na prática, como isso funciona?

Trabalhamos com diversos gêneros textuais, entre eles, os poemas e outros textos literários, que muitas vezes possuem caráter poético, tentando integrar esse trabalho com a Língua Portuguesa".

E como ela faz tudo isso para tornar as aulas dinâmicas e envolventes, em um mundo virtual voltado para as novas tecnologias? É muito simples, segundo ela, a poesia é inserida nas aulas de acordo com as temáticas que vão sendo trabalhadas. Na verdade ela pode ser encontrada em uma música, uma crônica. "Produzimos há poucos dias o gênero memórias, os textos foram em grande parte bastante poéticos e subjetivos, e compartilhamos poemas de diversos autores e épocas falando da infância", considera. A professora afirma que o problema é quando o poema ou qualquer gênero entra na aula apenas como pretexto para se trabalhar questões morais ou até mesmo gramaticais. 

No decorrer do processo, os estudantes sentem-se mais motivados e alguns assuntos abordados afloram as ideias do grupo, que se identifica com determinadas questões. Conforme Joseline, tratar de questões humanas - sensações, sentimentos, reflexões e até mesmo críticas sociais- só para citar algumas coisas que podem ser exploradas a partir da poesia - sempre é atual e diz respeito ao adulto, ao adolescente e à criança.

Apesar da tecnologia estar bem presente e de trazer novos gêneros textuais e novas maneiras de dominá-los, é o papel da escola fazer a mediação, propor a leitura e a discussão.

A sonoridade, o ritmo, o movimento e também as emoções despertam a atenção dos alunos até porque promovem um trabalho com o corpo, com a história de cada um e com as maneiras como cada um olha para o mundo.

Como fazer da poesia, uma escrita prazerosa?

Para gerar resultados positivos, a poesia ou qualquer outra atividade deve ser realizada em um contexto e de uma forma que acrescente algum sentido para o trabalho na sala de aula. "O texto poético deveria ser trabalhado de forma a contemplar seus objetivos, aliás cada leitura tem objetivos. Neste caso, ninguém lê um poema para extrair informações, mas para refletir sobre si mesmo, sobre o outro, sobre a vida; em alguns casos para se divertir", comenta a professora.

Tem que ter filing?

Alguns alunos irão desenvolver o gosto pela arte com mais facilidade, outros nem tanto, tudo vai depender das experiências que este aluno teve desde a infância (na família e na escola). "Muitos ainda não demonstram um interesse pela área porque os privamos deste contato com o texto literário", afirma. Segundo a professora, é bom lembrar que o papel da escola não é necessariamente formar 'escritores', mas leitores competentes e pessoas capazes de interagir por meio de diferentes gêneros textuais que circulam na sociedade (nem todos precisam ter aptidão para escrever poemas ou contos, por exemplo).

Temos que dar oportunidades para que os alunos leiam e para que, na escrita, manifestem sua própria voz, aquilo que os toca e os constitui.