Para renovar o bicicross

Da edição
por: Débora Kist
Data: 26/04/2018 | 09:25

 

Foto: Débora Kist / Folha do MateParticipantes da escolinha se reúnem três vezes por semana para os treinos
Participantes da escolinha se reúnem três vezes por semana para os treinos

Um esporte que faz parte da história de Venâncio Aires quer fazer parte também do futuro. Por isso, pensar e executar ações agora são iniciativa do Departamento de Bicicross do Moto Clube Venâncio Aires (Mocva). Encabeçada pelo educador físico André Fonseca, a ideia de uma escolinha de BMX já é realidade. Para entender mais sobre o projeto, o Na Pilha! foi até o Parque do Chimarrão, onde acontecem os treinos, para conversar com a galera que está participando. Curtindo andar de bike ou não, a proposta é muito bacana e vale a pena conhecer!

Há alguns anos, o educador físico e piloto de BMX, André Fonseca, levou a filha Marina para ver as primeiras corridas de bicicross. Ele, que sempre teve o esporte presente em sua vida, brincava com a menina na pista. Na época com cinco anos, Marina dava as primeiras voltas e acumulava os primeiros tombos. A brincadeira ficou séria e hoje, aos 10 anos, ela já é piloto de BMX. 'Sempre gostei de brincar na pista com meu pai e agora participo de competições', conta.

Marina Barcellos Fonseca é uma das poucas meninas que integram o grupo de cerca de 20 jovens entre cinco e 16 anos que atualmente fazem parte da escolinha de BMX.
Uma das lideranças do projeto é André Fonseca. Ele conta que desde o campeonato escolar ocorrido em 2017, o qual teve boa aceitação, ele e Pedro Motta de Quadros, presidente do Departamento de Bicicross do Mocva, pensaram em uma proposta voltada para os jovens, para a renovação do BMX no município. 'Precisamos renovar e manter o esporte. Temos um espaço privilegiado para aproveitar. Sem falar que o bicicross é um esporte para todas as idades e todos os gêneros', destaca.

 

Foto: Débora Kist / Folha do MateMarina tem 10 anos e já compete pelo BMX
Marina tem 10 anos e já compete pelo BMX

 O bicicross realmente não faz distinção. Seja idoso ou bem novinho, como o Davi Santiago Daniel, de apenas cinco anos. O pai dele, Rafael Assis Daniel, conta que resolveu levar o filho para a escolinha por vários motivos. 'A ideia é que ele não fique preso dentro de casa apenas com acesso a jogos eletrônicos e televisão. Mas, principalmente, por ser um esporte que permita a ele brincar muito, se aventurar e fazer amigos', explica.

 

Foto: Débora Kist / Folha do MateDavi, o caçula do grupo, e o pai Rafael
Davi, o caçula do grupo, e o pai Rafael

 O Davi é o caçula da escolinha. Foi com a idade dele que Jeferson Rafael Nitsche, hoje com 15 anos, começou a andar de bike. Estudante da Escola Cônego Albino Juchem, ele conta que o bicicross, onde ainda é amador, já o levou para outro esporte. 'Atualmente pratico também o veloterra, competindo na categoria Júnior'.

 

Foto: Débora Kist / Folha do MateJeferson pratica o bicicross desde os cinco anos
Jeferson pratica o bicicross desde os cinco anos

 A escolinha de BMX

Quem quiser participar, os treinos são realizados às terças e quintas-feiras, entre 18h30min e 19h30min, e aos sábados, a partir das 16h, na pista de bicicross do Parque do Chimarrão. É obrigatório o uso de capacete, luvas e roupas compridas. Conforme André Fonseca, é cobrado uma taxa de R$ 20 reais mensais dos participantes. O valor é todo revertido para a manutenção da pista. 'Temos de cuidar do espaço, cortar grama, matagal e até resolver problemas de vandalismo, já que um dos portões foi derrubado', conta. Um dos próximos objetivos do Departamento de Bicicross do Moto Clube Venâncio Aires é o revestimento de duas curvas da pista com bloquetos. A primeira foi concluída no início de 2017, em uma iniciativa inovadora no Brasil. Ela foi feita com trabalho voluntário de integrantes do Mocva e parte do material veio de doações.

Federação Gaúcha de Bicicross
Conhecedor da causa e da história do BMX no município, o venâncio-airense João Francisco Rauber é o atual presidente da Federação Gaúcha de Bicicross, que tem a missão de organizar o esporte no âmbito estadual e os clubes em suas cidades. 'Esse movimento que o Moto Clube faz com crianças é o que precisamos para ser um estado forte daqui a alguns anos', destaca. Segundo Rauber, o bicicross gaúcho é referência nacional e Venâncio Aires sempre fez parte com diversos nomes. 'No momento, Éder Martins é o grande nome na cidade que disputa as primeiras posições no estado na principal categoria, a Elite Men'.

Ainda quanto à Federação, o presidente diz que atualmente é organizado o campeonato estadual que tem, em média, 160 atletas por evento. 'É um dos principais torneios estaduais do Brasil, mas precisamos aumentar o número de nosso atletas e, para isso, precisamos abrir novas praças de esportes em novos municípios. Isso não é fácil em função do investimento, mas essa ideia do Mocva com certeza ajudará para o aumento dos competidores'.

O Rio Grande do Sul recebe há alguns anos eventos nacionais e isso começou em 2012, quando Venâncio Aires sediou a Copa do Brasil de Bicicross. Na ocasião, participaram os atletas olímpicos Renato Rezende e Squel Stein.


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