On x Off: o desafio de equilibrar o tempo no celular

Da edição
por: Juliana Bencke
Data: 21/03/2019 | 13:43

Não estamos aqui para julgar ninguém, nem para dizer o que é certo e o que é errado. O que queremos é propor uma reflexão. Você já parou para pensar que dedica boa parte do dia - ou a maior parte dele - para mexer no celular?

Pode até parecer normal, mas às vezes o passatempo vira dependência. E ela tem até nome: nomofobia. O termo, utilizado para descrever pessoas que não conseguem ficar longe do celular, vem da expressão em inglês 'no mobile phone fobia', que em tradução simples significa algo como 'medo de não ter um telefone celular'.

Nesta edição, abordamos o tema com um teste para que cada um possa repensar sua rotina. Garantimos que dá para aprofundar essa reflexão sem chatice. Quer algumas dicas? Indicamos a série Black Mirror, os filmes Her e O Círculo. Se quiser controlar o tempo que passa no Instagram, é só utilizar a ferramenta Sua Atividade.

Perigos da dependência

 

Para abordar esse tema tão complexo e elaborar o teste conversamos com a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Infantil. O coordenador Paulo Roberto Fischer e as psicólogas Michele Temp e Alessandra Moreira e Silva explicam que a dependência do celular pode ser desencadeada pelo uso excessivo do aparelho, na infância, e quando não há limite de uso na adolescência.

Na prática, deve-se ligar o sinal vermelho para a questão quando perceber que nada além do smartphone dá prazer e as atividades diárias começam as ser prejudicadas pelo uso excessivo. Confira alguns riscos de não se desplugar:

1 Socialização restrita (ficar longe dos amigos e da família)

2 Obesidade

3 Estímulo de conteúdo inspirando violência

4 Baixo rendimento escolar

5 Redução de concentração e perda da memória

6 Não conseguir dormir bem

7 Deixar de fazer necessidades básicas como comer, brincar e praticar exercícios

Em busca do equilíbrio

 

Para os estudantes Jeferson Ribeiro dos Santos, 18 anos, e Theo de Lima Goes, 19 anos, reduzir o tempo dedicado à internet é um desafio. No entanto, eles percebem que é importante buscar um equilíbrio com outras atividades.

Quando tinha entre 16 e 17 anos, Theo era viciado em jogos de computador. 'Ficava mais de 12 horas jogando, dependendo do dia. Na época, não percebi, mas um tempo depois vi que aquilo não era normal.'

Jeferson, por sua vez, conta que demorou para criar um perfil no Facebook, mas, quando fez, não parava de utilizar a rede social. 'Todo tempo livre que eu tinha não era livre, era para mexeu no celular.' O estudante lembra que uma situação o marcou muito e fez pensar sobre o quanto ele estava mergulhado na internet. 'Um dia pedi um Xis e fiquei mexendo no celular. Quando fui comer, ele estava completamente frio. Daí fiquei me perguntando quanto tempo eu tinha passado mexendo no celular sem perceber.'

Em 2017, os meninos integraram um projeto sobre o tema, no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) que deu origem à peça "Tanta gente on com o coração off" - premiada no 9º Festival de Teatro Adolescente Vamos que Venimos, na Argentina. 'Quando comecei a participar do projeto, refletir e estudar sobre isso, comecei a ter tempo para outras coisas. Consegui ler mais', afirma Jéferson. Uma das técnicas dele era desligar o celular enquanto estudava. 'Se não, a cada notificação, pegava o celular para ver o que era. Se não pegava, o coração começava a acelerar.'

Theo também comenta que, mesmo durante a aula, é difícil se concentrar, por conta das notificações das redes sociais. 'Não temos como fugir disso, mas acredito que dá para melhorar, se autoavaliar', considera. Para ele, há certa pressão social que também contribui para que a galera fique conectada o tempo todo. 'Parece que, se não estamos fazendo nada, é errado, improdutivo, e o celular passa a ideia de que estamos produzindo', reflete. 'A tecnologia não é ruim, mas se torna ruim como tudo o que é demais', complementa Jeferson.

Para repensar o seu dia a dia

Segundo os profissionais do Caps Infantil, dificilmente o próprio adolescente percebe que o celular se tornou um vício. No entanto, algumas questões podem ajudar você a repensar a sua rotina.

- Quando a internet falha, o que você faz?

- Você tem outros atividades prazerosas além de mexer no celular?

- Você consegue almoçar sem estar com o celular?

- Tem momentos em grupos além do virtual ou conversa com os amigos apenas pelo WhatsApp?

Bora se desafiar?

Tem solução? Tem! Basta se autodeterminar a reduzir o tempo de uso, inserir práticas saudáveis no dia a dia, atividades como exercícios, teatro, trabalho comunitário, esporte, música e dança. O importante é se permitir experimentar.