O que temos a aprender com Greta Thunberg?

Da edição
por: Na Pilha!
Data: 23/05/2019 | 14:23

Quando uma menina de 16 anos consegue chamar atenção do mundo todo, a ponto de ser indicada ao prêmio Nobel da Paz, nós vemos que, sim, podemos fazer a diferença no mundo, não importa a idade. A ativista ambiental Greta Thunberg tem inspirado milhares de pessoas, em diferentes países, em uma campanha por ações políticas relacionadas ao aquecimento global. Ela começou tudo isso com um simples cartaz com a mensagem "greve da escola pelo clima", quando começou a protestar em frente ao Parlamento Sueco.

Esta edição do Na Pilha! é um convite para conhecer mais sobre o trabalho de Greta e sobre como também podemos fazer a nossa parte - e não é preciso matar aula para fazer isso! Pelo contrário: mostramos exemplos inspiradores de estudantes de Venâncio Aires que têm aproveitado o espaço da escola para pesquisar e fazer a sua parte pela preservação do meio ambiente. Contamos contigo nesta luta tão nobre.

Ações por um mundo melhor

Depois de reservar as sextas-feiras para protestar em frente ao Parlamento Sueco, em Estocolmo, para exigir medidas concretas dos políticos, referentes ao aquecimento global, a adolescente Greta Thunberg ficou conhecida no mundo inteiro e agora está na lista dos indicados ao prêmio Nobel da Paz.

Mas, o que nós temos a aprender com essa jovem ativista de16 anos? Ela sabia que precisava iniciar um movimento. 'Percebi que ninguém estava fazendo nada para impedir que isso aconteça, então eu precisava fazer alguma coisa', justificou sobre o início do movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas, que realiza desde agosto do ano passado.

O movimento se alastrou pelo mundo inteiro e fez com jovens de diferentes locais aderissem à iniciativa que ficou conhecido como "Fridays for future" (sextas-feiras para o futuro). Greta conseguiu estimular e fazer com que, inclusive, suas manifestações refletissem no Brasil, já que em 15 de março, quando ocorreu uma greve global, cidades brasileiras também estiveram mobilizadas por influência da adolescente.

Além de ter tido a oportunidade de conhecer o papa Francisco, ela já discursou no Parlamento Europeu e participou de eventos internacionais, como a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), na Polônia, e o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Ah, a garota também participa de encontros semanais com os membros do Parlamento Britânico, em Londres.

Alunas mobilizam a turma

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dom Pedro II, de Linha Hansel, as estudantes do 9º ano Ana Laura Vieira Borba, 13 anos e Luana Gabriela Stacke, 15 anos, desenvolvem um projeto com objetivo de conscientizar a população sobre os malefícios do agrotóxico.

Com orientação da professora Franciélle da Rosa, o trabalho segue pelo terceiro ano, com o propósito de alertar sobre o assunto que faz parte da vida de muitos estudantes filhos de agricultores. Para isso, contou com pesquisa na comunidade de Linha Hansel e arredores, incluindo as casas dos alunos da escola.

'Iniciamos esse projeto pois é a nossa realidade, temos conhecidos, amigos da nossa família que sofreram uma intoxicação pelo agrotóxico, por isso, pensamos em trabalhar o assunto e alertar nossa comunidade', comenta Ana, que mora na Linha Hansel.

Luana explica que no início, o projeto falava sobre os problemas causados pelos agrotóxicos na saúde. 'Descobrimos várias doenças que passaram a existir depois que surgiu o veneno.'

Após destaque em eventos no ano passado, o projeto "PDP: Plantio direto na palha. Uma alternativa para recuperação de solos contaminados pelo uso de agrotóxicos" representou o município e a região na 10º Mostra Científica Sul-brasileira Verde é Vida, durante a Expoagro Afubra, em março deste ano. 'Foi sensacional participar da feira. A gente aprendeu muito, conversou com muita gente.' relembra Luana. Além disso, ela enfatiza que vários jovens demonstraram interesse no assunto.

A empolgação das gurias com o trabalho é tanta que, para este ano, elas já mobilizaram a turma e irão trabalhar com o manejo integrado de pragas. 'Como é um trabalho que vem do 7º ano, a gente aprende muita coisa e dá sequência. Tudo se aproveita. Com isso, conseguimos fazer algo realmente bom', conta Ana.

As garotas, inclusive, criaram a página "Projeto Agrotóxicos - EMEF Dom Pedro II", no Facebook, para divulgar ações. 'Só de conseguir conversar com a comunidade, expôr soluções e metodologias, é gratificante. Temos certeza que a longo prazo teremos bons resultados', acrescenta Luana.

Trabalho que ultrapassa a sala de aula

Quando a turma do 7º ano da Escola Dom Pedro II decidiu trabalhar sobre a questão dos agrotóxicos, em 2017, a professora de Língua Portuguesa e orientadora do projeto, Franciélle da Rosa, ficou surpresa e, ao mesmo tempo, entusiasmada. 'Depois que eles começaram a se dedicar a este trabalho, percebi uma grande evolução. Os alunos desenvolveram a oralidade e a escrita e aos poucos, se interessaram em aprofundar o tema e dar continuidade ao projeto até o 9º ano', comenta.

Para a professora, o incentivo da escola também é muito importante, assim como das famílias. 'Os pais das alunas dão muita importância a este trabalho, eles incentivaram as meninas a fazer um moletom e levar esta mensagem adiante. Acredito que através dos jovens, podemos mudar o pensamento de muitas pessoas sobre a importância dos cuidados com o meio ambiente', considera.

Franciélle observa que a comunidade também está mudando de opinião com relação às alternativas que podem ser aplicadas no campo para substituir os agrotóxicos. 'Através dos alunos conseguimos atingir as famílias que estão ligadas a este meio. Para quem tem uma horta no fundo de casa, por exemplo, é mais fácil evitar a utilização de agrotóxicos nas plantações', salienta.

Dicas para fazer a sua parte

- Quando for ao supermercado, leve uma sacola retornável em vez de utilizar as tradicionais sacolinhas plásticas. Existem modelos de ecobags de pano e de plástico reforçado, que podem ser reutilizadas diversas vezes e são superestilosas.

- Tenha uma garrafinha de água sempre na mochila, para que não seja preciso utilizar copos plásticos. Em casa ou no trabalho, adote uma caneca. O café fica até mais gostoso nelas!

- Folhas de cadernos que não foram utilizada podem ser usadas no próximo ano. Em vez de comprar cadernos novos, que tal tirar as folhas usadas e utilizar o espaço em branco para as aulas?

- Atenção aos gastos desnecessários com energia elétrica: apague a luz sempre que sair do quarto, retire o carregador da tomada quando o celular estiver com a carga completa e não demore no banho.

- A separação do lixo seco e orgânico é fundamental para garantir a reciclagem. Se isso ainda é feito na escola ou na sua casa, você pode começar uma campanha para garantir que isso aconteça. Dar o exemplo é uma boa forma de começar.

- Quando for comprar material escolar, roupa ou acessórios, lembre-se de se questionar: preciso mesmo disso? Reduzir o consumo é uma das principais formas de contribuir com o meio ambiente.

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Vem aí...Dia mundial da limpeza

A JCI de Venâncio Aires, organização mundial de jovens voltada à formação de líderes, promove a ação global Cleanup Day, no dia 21 setembro. Em Venâncio, é a segunda vez que a ação acontece e promete mobilizar um grande número de pessoas para limpar a nossa cidade. Você pode ser um voluntário nesta ação tão especial. Anote a data na agenda e se programe para participar!