Love, You’re the Worst e comédias românticas incomuns

No Controle
por: João Pedro Filippe
Data: 22/03/2016 | 14:30

De tanto que ouvimos sobre comédias românticas não-clichês hoje em dia, este gênero está começando a se tornar um dos novos padrões e talvez até clichês dos últimos anos, o que chega a ser cômico dados seus objetivos iniciais. Aqui, vou mergulhar em duas estreias recentes e falar um pouco mais sobre elas. 

Love nos apresenta a Gus e Mickey, duas pessoas não tão surpreendentemente incompatíveis que se encontram num mercadinho de esquina quando Mickey tenta comprar cigarros e percebe que não tem grana. Gus está rondando pelo lugar e decide pagar para Mickey, interagindo com ela pela primeira vez. Mickey é uma garota selvagem que trabalha num programa de rádio, enquanto Gus trabalha como tutor infantil num seriado sobre bruxas e não é nada feroz.

Ambos recém saíram de relacionamentos sérios e não estão buscando por nada, mas, claro, acabam eventualmente desejando algo do tipo. O seriado não é tanto sobre os dois ficarem juntos quanto 'aqui estão duas pessoas precisando urgentemente de mudanças em suas personalidades antes de terem qualquer relacionamento saudável', o que o torna bem similar ao seguinte: 

Em You"re the Worst encontramos Gretchen, uma relações públicas; Jimmy, um escritor fracassado, e seus respectivos amigos sidekicks. Numa noite qualquer, Gretchen e Jimmy esbarram pela cidade e começam a dar uns amassos. Já que nenhum dos dois possui interesses de transformar isso em algo sério, eles procedem e iniciam a fazer coisas de casal: deixar roupas pela casa, levar o outro para o trabalho, passar o fim de semana juntos etc. No meio disso tudo os dois percebem que estão se apaixonando um pelo outro e decidem ficar exclusivos - o que é só o começo de seus problemas.

Tanto em Love quanto em You"re the Worst começamos as histórias de uma forma diferente quando comparadas aos filmes Hollywoodianos: temos pessoas que definitivamente não querem um relacionamento aos poucos descobrindo que estão buscando alguém pra ocupar o outro lado da cama mas que não estão prontas para isso, e também temos personagens que não possuem suas vidas completamente organizadas e estão despedaçados emocionalmente.

A abordagem das duas produções beiram várias semelhanças, mas ao mesmo tempo não poderiam ser mais diferentes, e o atrativo principal delas é a impossibilidade de prever o que vai rolar. Outro atrativo dessas séries - além da ótima atuação e enredos ótimos - é que são mais próximas da realidade e as situações têm mais chance de realmente acontecerem com qualquer um de nós.

Os dias que assistíamos televisão pra escapar de nossas vidas talvez estejam indo embora, e estão sendo trocados por uma busca atrás de conteúdo com menos contos de fadas e que reflita o que acontece de verdade na vida das pessoas e seja fácil de se relacionar. E isso é ótimo! Porque, honestamente, qual a graça de assistir algo inteiramente previsível?