Na Pilha!

Leitor em construção

Da edição
por: Débora Kist
Data: 30/08/2018 | 14:11

A partir desta quinta-feira, 30, Venâncio Aires vai respirar literatura. Com o tema 'Ler para Transcender', a 19ª Feira do Livro vai até domingo, 2, no Parque do Chimarrão. Além das livrarias, haverá diversas atividades paralelas. E já que esse é o grande evento da semana no município, o Na Pilha! pegou carona no assunto e resolveu trazer uma edição especial, focada naquilo que a leitura pode significar.

Imaginação, fantasia, sonhos, realidade, curiosidade. Como se estabelece a relação com os livros? Por que eles cativam e podem continuar fazendo parte da vida das pessoas? Para tentar entender esse vínculo, conversamos com uma jovem de 12 anos que é um exemplo de leitora 'voraz' e como ela está construindo sua relação com a leitura. Você também confere um papo com Cíntia Moscovich, a patrona da Feira do Livro que revelou suas obras favoritas da adolescência.

Curiosidade leva à busca por novas histórias

Na sacada de casa, no intervalo da escola ou na comodidade do quarto (seu cantinho preferido!), Carolina Mohr Tessmann, 12 anos, sempre encontra um 'tempinho' para descobrir novas histórias ou concluir aquela coleção que ainda não chegou ao fim.

Ela lembra que o primeiro contato com a literatura começou na infância. 'Meus avós e meus pais sempre contavam histórias para mim e depois eu pedia para ler de novo para eles.' Um dos livros que mais marcou nesta época foi a coleção 'Contos ao pé do ouvido', que Carol ainda guarda com muito carinho num cantinho especial do seu quarto.

Apesar de estar desde cedo em torno dos livros, o interesse pela leitura diária surgiu há aproximadamente um ano, quando a estudante percebeu que seu rendimento escolar não estava muito bom, principalmente nas aulas de Português. Além da leitura obrigatória exigida na escola, Carol passou a ler com mais frequência outros gêneros literários, em especial as leituras que remetem ao mundo da fantasia. 'Fico muito envolvida com as histórias, principalmente aquelas em que os personagens perdem os superpoderes e depois tudo termina com um final feliz.'

Depois que criou o hábito da leitura, os livros passaram a fazer parte da sua rotina e estão sempre presentes em todos os momentos. 'A leitura me ajudou bastante, fui selecionada para participar de uma competição literária, tive mais facilidade de interpretação nos trabalhos da escola e criatividade para produzir textos.'
Assim que Carol termina de ler uma coleção, ela já parte para outra, troca livros ou pede indicação para as colegas na busca por novas histórias. 'Agora estou lendo 'A Coleção', de Kiera Cass, mas já estou ansiosa para começar 'O Herói do Olimpo.' O poder da leitura é tão envolvente que Carol conseguiu concluir a obra 'Extraordinário', em apenas uma semana.

Foto: Regis Fabris / Folha do MateCarol tem um cantinho do quarto reservado para a sua coleção
Carol tem um cantinho do quarto reservado para a sua coleção

Imaginação, aventura e realidade

Muito antes de ser escritora, jornalista, professora, roteirista, pesquisadora e mestre em Teoria Literária, Cíntia Moscovich era apenas uma leitora. Mas essa 'apenas' foi o que fez ela ser a referência literária que é hoje e a escolhida para ser a patrona da 19ª Feira do Livro de Venâncio Aires.

Nascida em Porto Alegre, foi ainda na infância que iniciou sua relação com a literatura. 'Na minha casa era uma casa de leitores, então tínhamos convivência com os livros, era algo natural. Claro que na escola, ler era uma obrigação, mas não eu via isso como algo ruim.'

Com boas lembranças dos professores, Cíntia contou ao Na Pilha! que a literatura em sala de aula sempre foi relacionada à contação de histórias. 'Tudo dava acesso à fantasia.'

INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
A patrona da Feira do Livro revelou que quando criança lia as obras de Monteiro Lobato e depois passou a se interessar também por histórias de mitologia e de ficção científica. Cíntia destaca dois livros que marcaram muito sua adolescência: 'Vinte mil léguas submarinas', do francês Júlio Verne, e 'Moby Dick', do norte-americano Herman Melville. 'Ambos foram publicados em meados do século XIX. 'São clássicos da literatura mundial e geração após geração, essas histórias continuam conquistando fãs e despertando curiosidade. Todos deveriam ler. São incríveis, pelas histórias e pela imaginação dos autores.'

LITERATURA COMO REALIDADE
Aos 60 anos, Cíntia diz que os adolescentes nos tempos atuais tem, em geral, lido pouco. 'Entendo que esse desinteresse é como um desinteresse pelo mundo. Mas eles precisam comparecer. Não lemos apenas para a fantasia, para o imaginário, mas sim pela realidade, pela cidadania.'

Pensando nos jovens, é que a patrona da Feira do Livro irá lançar mais uma obra infanto juvenil. Até 2019, ela deve terminar 'Baleia assassina', que trará, entre outros assuntos, a questão do bullying.

Foto: Anderson Fetter / Agência RBSCíntia Moscovich prepara um livro infanto juvenil para 2019
Cíntia Moscovich prepara um livro infanto juvenil para 2019

O que os adolescentes de Venâncio Aires estão lendo?

Segundo dados fornecidos pela Biblioteca Pública Municipal Caá Yari, no local os livros mais retirados pelos adolescentes entre 14 e 17 anos são os seguintes:

Harry Potter
Assassin's Creed
Percy Jackson
Divergente
Jogos Vorazes
Filhos do Eden
A Seleção
Pegasus