Explorando loucura, depressão e relacionamentos com Crazy Ex-Girlfriend

No Controle
por: João Pedro Filippe
Data: 05/04/2016 | 14:30

Eu admiro muito a Rachel Bloom. Desde quando descobri seus vídeos no YouTube onde ela faz paródias de músicas pop e as põe em situações inusitadas, ela tem se destacado demais pela internet e mundo afora, e ano passado finalmente conseguiu botar no ar seu seriado - que é uma das melhores estreias da temporada.

Em Crazy Ex-Girlfriend, Rachel quebra tabus sobre o sexo feminino e desconstrói o conceito enraizado em nossas mentes de que pessoas que vão atrás de felicidade e deixam lógica e razão para trás são completamente loucas, quando na verdade só estão querendo sentir-se bem consigo mesmas.

O programa segue a vida de Rebecca Bunch, uma advogada poderosíssima porém deprimida e que sente que algo em sua vida está faltando. Ao ver uma propaganda de manteiga onde sua felicidade e estilo de vida são questionados e também encontrar seu ex-namorado Josh nas ruas de Nova York e descobrir que ele está indo viver em uma cidade mais alegre do interior, ela decide ir para lá também, crendo que encontrará sua tão desejada felicidade em uma cidade mais humilde e nos braços de seu amado. Ou seja: ela vai para uma cidade desconhecida atrás de um cara. Aí que quando ela chega lá e vai no mercado, ela encontra Josh com *tan tan tan* sua namorada!

O twist da história vem da constante negação de Rebecca de que ela não está na cidade por causa de Josh, mas sim porque ela totalmente queria ir para lá. Ela mente muito para si mesma, e os números musicais provam bastante disso. Ah, sim: é uma comédia musical! Em cada episódio temos de duas a três músicas, variando entre paródias de músicas populares de hoje em dia retratando a rotina que mulheres passam para se arrumar, auto-depreciação, medos de ter um caso de uma noite só com um estranho e muitas outras coisas. Ela até fez uma paródia da Shakira!

Além de Becca e Josh também temos Donna, a melhor amiga que de cara percebe que o que Becks faz não é saudável e tenta ajudar de todas as formas possíveis; Greg, um segundo interesse romântico cheio de ódio de si mesmo (tem até uma música sobre isso); Darryl, o novo chefe que passa por uma jornada de auto-conhecimento engraçadíssima; Valencia, a namorada de Josh que odeia Rebecca e White Josh, um dos amigos de Josh que ganhou o apelido por ser a versão americana dele (Josh é asiático). O seriado também tem recebido muitos elogios, não só por ser fantástico mas também por representar de forma excelente a cultura da família de Josh - o que, francamente, ninguém faz na televisão.

A mensagem que o seriado passa é bem importante, e tem sido esmagada nos últimos anos por essa geração que glorifica depressão: não seja infeliz. Largar tudo supostamente ótimo que você tem e ir atrás de algo que lhe faça se sentir melhor não é loucura; loucura é ficar preso em um lugar que é socialmente aceitável porém está lhe destruindo aos poucos. Parece fácil, né? Mas a gente só pensa nisso quando alguém comenta - ou quando vê um comercial de manteiga.