Em defesa de Supergirl

No Controle
por: João Pedro Filippe
Data: 29/03/2016 | 14:30

Então aqui tá o lance: Supergirl é um dos melhores seriados de super-heróis que está no ar. Calma, não foge! Deixe-me explicar: a série pode até ter vários pontos negativos, mas recentemente tem adquirido muito mais pontos positivos para levantar o outro lado da balança e mostrar que vale a pena investir tempo nas aventuras da prima do Superman.

Desde o vazamento do piloto a estreia no ano passado, o programa tem recebido uma chuva de críticas sobre vários aspectos: roteiros fracos, personagens qualquer coisa menos tridimensionais e não ser dark o suficiente (graças ao sucesso de programas como Arrow, Daredevil, Jessica Jones e os filmes deprimentes do Homem de Aço e Batman), aspectos estes que realmente eram problemáticos no primeiro grupo de episódios mas foram dissipados com o tempo, porém ainda acontecem várias reclamações em relação ao último - e isso é um problema.

Imagine um mundo onde todos os seriados de heróis possuem o mesmo estilo e o mesmo tom (como os filmes da Marvel). Não seria um mundo chato? Claro que seria, pois não teria variedade nenhuma e todo conteúdo seria parecidíssimo um com o outro, tornando inexistente um elemento muito necessário chamado singularidade que é o que torna cada série algo único e inigualável. Assim como temos programas dark e noir também devemos ter o oposto deles - programas otimistas e alegres - assim como vários outros tipos que estão espalhados no meio destes dois extremos.

Agora vamos falar de coisas boas: o seriado é uma fofura sem tamanho. Desde a decoração do apartamento da Kara até as cenas de romance no escritório, os olhares cruzados entre o triângulo amoroso e a trilha sonora que toca durante os episódios, o coração de quem tá assistindo derrete. 

Outro elemento que merece destaque é a forma com que os escritores têm lidado com os personagens, realmente lhes tornando seres humanos tridimensionais e bolando histórias de origem ótimas - exemplos recentes incluem J'onn J'onzz e Siobhan Smythe, que no episódio dessa semana (com a participação do Flash!) se tornou a vilã Silver Banshee. Também vale mencionar que o seriado tem servido de inspiração para milhares de garotinhas que finalmente ganharam uma heroína feminina na televisão para admirar.

Com uma primeira temporada determinada a encontrar seu chão para seguir em frente, Supergirl é exatamente como aquela pessoa que ainda não encontrou sua identidade, tenta mil e uma roupas e estilos diferentes mas tem um coração gigante acima de tudo. Isso é algo que fica muito evidente nas cenas mais emocionais da série, onde a dedicação da Melissa Benoist e do elenco inteiro brilham mais forte que a explosão de Krypton. Não existe o escuro sem a luz, não há noite sem o dia; assim como existe a tristeza e felicidade, há uma variedade de programas surgindo, indo desde a melancolia de Oliver Queen até a energia contagiante de Kara Zor-El.