Em alerta

Da edição
por: Ana Carolina Becker
Data: 13/09/2018 | 11:00

É preciso falar sobre isso. É preciso dizer que, às vezes, a falta de atenção e carinho aos pais, filhos, irmãos e amigos pode acarretar em problemas graves. Na edição de hoje, o Na Pilha! aborda o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.

Para entender essa que também é uma realidade em Venâncio Aires, apresentamos números do Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps i) do município. No local, não são feitos apenas atendimentos de crianças e jovens com problemas comportamentais, mas até casos mais graves como automutilação, tentativa de suicídio e outros problemas que estão cada vez mais presentes em na sociedade. Dos atendimentos realizados no Caps i, a maioria envolve meninas de 14 a 17 anos.

Nessa edição, várias informações que podem ajudar a entender e a identificar uma situação mais grave. Números, dados e serviços de um assunto que não deve apenas se restringir a um mês, mas ao ano todo, o tempo todo. Vale destacar que tentamos alguns cases de jovens que sofreram ou sofrem com algum desses problemas. Mas, por receio e para evitar uma exposição gratuita, optaram por não falar.

Um mês para dar mais atenção à vida

Foto: Ana Carolina Becker / Na Pilha!O coordenador do Caps i Samuel Bittencourt da Luz Júnior com as cuidadoras de saúde  Deise Borba, Isabel Schroeder, Antonia Rossi e Daiani Posslet
O coordenador do Caps i Samuel Bittencourt da Luz Júnior com as cuidadoras de saúde Deise Borba, Isabel Schroeder, Antonia Rossi e Daiani Posslet

Na vida, tudo deixa alguma marca. Seja aquele risco na parede da casa dos avós, do tombo de ralar o joelho ou aquela agressão verbal ou física. São fatores como esses, guardados apenas para nós, que às vezes geram dores incontroláveis e causam problemas que saem do controle.

No Setembro Amarelo, que visa promover a prevenção ao suicídio, Venâncio Aires traz um dado interessante: o número de casos de tentativa de suicídio, automutilação, agressões, álcool e drogas representam cerca de 30% dos atendimentos realizados pelo Caps i - os outros 70% estão relacionados a transtornos comportamentais. Segundo o coordenador Samuel Bittencourt da Luz Júnior, as principais vítimas com ideação suicida e automutilação são meninas de 14 a 17 anos.

O coordenador explica que existem 250 cadastros ativos de crianças e adolescentes de zero a 17 anos e 11 meses, no Caps i. Desses atendimentos, a maioria é encaminhada pelas escolas para o Centro de Integração de Educação e Saúde (Cies) que, quando mais agravado, é repassado ao Centro de Atenção Psicossocial Infantil.

Samuel esclarece ainda que, quando os encaminhamentos chegam ao local, uma equipe formada por enfermeira, cuidadora de saúde e assistente social conversam com o responsável e o paciente. 'Muitas vezes, quando eles chegam aqui, não sabemos a causa, mas conversando com os envolvidos, descobrimos', explica uma das cuidadoras de saúde, Deise Borba.
Após esse primeiro atendimento, os pacientes que têm risco de vida são encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou ao Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) e depois passam por acompanhamento psicológico e psiquiátrico com os profissionais ligados ao Caps i.

Acompanhamento

O coordenador salienta que o acompanhamento é realizado semanalmente no início, principalmente quando o paciente ainda não passou por nenhum dos profissionais. 'Depois depende da situação, se ela tem caráter intensivo deve frequentar o espaço de duas a três vezes por semana. Se é semi- intensivo é de 15 em 15 dias', completa.
Além disso, são oferecidas oficinas de desenho, artesanato e música ao frequentadores do Caps i, semanalmente. O maior movimento no espaço ocorre durante as tardes. Mas o atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 17h30min, e é totalmente gratuito.

Foto: Alvaro Pegoraro / Arquivo FMO Caps i está localizado na esquina das ruas Sete de Setembro com a Avenida Rupert Filho
O Caps i está localizado na esquina das ruas Sete de Setembro com a Avenida Rupert Filho

Perfil dos jovens com ideias suicidas

O perfil dos jovens que apresentam transtornos de comportamento é diferente quando comparado às pessoas adultas. De acordo com o coordenador do Caps Infantil, Samuel Bittencourt da Luz Júnior, os mecanismos de defesa dos adolescentes não estão formados e eles têm impulsos mais fortes para cometer certos atos contra a vida. Júnior ressalta que a falta de estrutura familiar também é um dos motivos para que os jovens apresentem mudanças de comportamento. Conforme a cuidadora da saúde, Deise Borba, algumas crianças e adolescentes necessitam apenas de carinho e atenção. 'Após este acolhimento já é possível obter resultados positivos, antes mesmo do encaminhamento a um especialista.'

Sinais de alerta
Isolamento, choro exagerado, alteração de apetite, falta de vontade de cuidar de si (tomar banho e escovar os dentes, por exemplo), irritabilidade, dificuldade de concentração, automutilação, excesso ou falta de sono, perda de prazer em atividades que antes eram divertidas, alterações drásticas na preferência por algum tipo de música ou filme, excesso de críticas a si e ao mundo; comentários a respeito da morte, como 'preferia morrer', 'queria que Deus me levasse' e 'não aguento mais viver'.

Frases de alerta
'Os outros serão mais felizes sem mim'
'Eu preferia estar morto'
'Sou um peso'
'Não aguento mais'

Como ajudar:
-Escute atentamente o que a pessoa tem a dizer sem julgar.
-Deixe claro que a pessoa não tem culpa de se sentir assim.
-Oriente a buscar ajuda profissional.
-Evite deixar a pessoa sozinha e com acesso a materiais que possam causar algum dano.

 

Saiba mais: Acompanhe a matéria completa na edição impressa do cardeno Na Pilha! desta quinta-feira, 13 de setembro.