Cuidado: uma edição para falar sobre distúrbios alimentares

Da edição
por: Na Pilha!
Data: 25/04/2019 | 09:17

Quando as refeições deixam de ser parte normal da rotina e passam a ser um problema, é preciso ficar atento. Muito além de uma preocupação com a saúde, comer pouco, comer muito ou tentar compensar tudo o que comeu, com medo de engordar, pode ser uma doença.
Nesta edição, propomos um papo sério. Bulimia, anorexia e compulsão alimentar estão entre os transtornos comuns entre adolescentes. Por trás de uma dieta rigorosa e de uma preocupação extrema com o corpo pode estar um distúrbio que precisa de tratamento.
Além de explicar cada um desses transtornos alimentares, queremos, por meio desta matéria, deixar um recado importante. Não importa se tu és gordo, magro, alto ou baixo. Esse perfil não te define. Se bater aquela insegurança sobre o corpo, aquele medinho, o melhor é procurar ajuda. Sempre tem um amigo, um professor ou mesmo um familiar com quem dá para desabafar. Boa leitura!


Vamos falar sobre transtornos alimentares?

Pode até passar despercebido, à primeira vista, mas anorexia, bulimia e compulsão alimentar fazem parte da vida de muita gente. O maior índice de pessoas com esses transtornos alimentares está entre as meninas adolescentes.

Foto: Ana Carolina Becker / Na Pilha!.
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De acordo com a psicóloga Luciana Bortolanza, com formação em Transtornos Alimentares e Obesidade, o distúrbio alimentar pode surgir nesta fase, justamente, porque é nesse momento da vida em que os adolescentes começam a ter as primeiras relações e a tomar as próprias decisões.

Mas, afinal, o que é um transtorno alimentar? De forma simples, é todo aquele comportamento fora dos padrões, na hora de comer: tanto comer demais quanto comer de menos.

Luciana explica que não existe um único responsável por desencadear transtornos alimentares. No entanto, segundo ela, alguns estudos apontam que fatores genéticos, influência familiar e aspectos culturais contribuem para o desenvolvimento de anorexia, bulimia ou compulsão alimentar.

'Se sabe que existe um componente genético, mas não existem estudos conclusivos que podem definir esse aspecto. Por um lado, sabe-se que a influência familiar é gigantesca, principalmente, nos quadros de comer compulsivo', comenta a profissional.

Transtorno alimentar é o comportamento fora dos padrões

DIETAS RIGOROSAS
A psicóloga também alerta que, quando se segue uma dieta muito rigorosa, existe a possibilidade de desenvolver algum transtorno alimentar. 'No quadro do comer compulsivo, por exemplo, possuímos um comportamento que chamamos de mecanismo de pensamento compensatório, isso significa que em algum momento, principalmente se a dieta for muito restrita, a pessoa vai entrar no sistema de pensamento compensatório e 'enfiar o pé na jaca'', explica.

De acordo com Luciana, independentemente do transtorno alimentar, o tratamento deve ser feito por uma equipe multiprofissional composta por um nutricionista, endocrinologista, psicologo e, muitas vezes, um psiquiatra. Quando, além do transtorno alimentar, o paciente tem outros transtornos associados, como depressão e ansiedade, é necessário utilizar medicamentos para ajudar no tratamento.

- ANOREXIA: quando a pessoa deixa de comer e tem medo de ganhar peso. Geralmente, a pessoa apresenta um Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 17. Quando se está sofrendo de anorexia existe uma perturbação no modo de vivenciar o peso, tamanho e as formas corporais. Nesses casos, quando olha no espelho, a pessoa se vê de forma distorcida, nunca assume que realmente está magra - mesmo que esteja magra, se enxerga 'gorda'.
- BULIMIA: episódios de compulsão alimentar em alguns momentos. A pessoa come mais que as outras, tem sentimento de culpa e busca compensar com vômito autoinduzido, abuso de laxantes, diuréticos, jejum ou excesso de exercícios físicos, para não aumentar de peso. Se a pessoa costuma comer e sentir aquele arrependimento, ela irá tentar o vômito autoinduzido pelo menos uma vez na semana, durante três meses.
- TRANSTORNO ALIMENTAR DE COMER COMPULSIVO: quando a pessoa come uma quantidade maior de alimentos que a maioria das pessoas consumiria e/ou come rapidamente e até se sentir 'supercheio'. Nesses casos, geralmente, de acordo com Luciana, a pessoa que sofre de transtorno alimentar compulsivo faz o consumo dos alimentos de forma isolada e a obesidade acaba sendo uma consequência desse distúrbio. Para ser considerado um quadro de compulsão é preciso que ocorra em média, um dia por semana, durante três meses.

- TRANSTORNO DE COMER NOTURNO: ocorre uma mudança no sono e a pessoa passa a acordar durante a noite para comer. Acaba se permitindo comer para conseguir dormir novamente.

Foto: Divulgação / Na Pilha!.

Fazendo as pazes com o corpo
A jornalista gaúcha Daiana Garbin, natural de Farroupilha, lançou em outubro de 2017 o livro 'Fazendo as pazes com o corpo'. Na obra, ela fala dos 22 anos que se torturou por odiar o próprio corpo.

Daiana aborda a difícil jornada para vencer a relação doentia com a comida e a obsessão pela forma perfeita. A repórter encarou dietas hiper restritivas, cirurgias plásticas, procedimento agressivos e ingeriu muitos medicamentos para emagrecer, sempre em busca de um corpo magro e perfeito.

Entretanto depois de muito sofrimento ela descobriu que essa insatisfação com o corpo não era vaidade nem frescura, mas sim uma doença. Daiana foi diagnosticada com transtorno alimentar. No livro, ela compartilha sua história com o objetivo de ajudar as pessoas a não sofrerem em silêncio.

Além disso, a obra conta com entrevistas com nutricionistas, psicólogos e psiquiatras sobre o lado nocivo da internet, o padrão de beleza irreal e a autocompaixão para a cura. Daiana também compartilha experiências no canal do YouTube 'Eu Vejo', no qual divulga bate-papos com profissionais e fala da relação do ser humano com o corpo e com a comida.


Fisk