A atividade rural é um caminho

Da edição
por: Débora Kist
Data: 17/05/2018 | 08:00

Venâncio Aires sempre se caracterizou por ser um município com histórico no setor primário. São milhares de pessoas que moram no interior e vivem da produção agrícola. Além do tabaco, também é possível destacar, entre tantos outros, a produção de grãos, gado de corte e leiteiro, suínos e hortifrutigranjeiros. Para destacar esse potencial, nesta semana ocorre a 1ª Agrofeira. Entre hoje e domingo, 20, no Parque do Chimarrão, haverá agroindústrias, exposição de equipamentos agrícolas e de animais, palestras, atrações culturais e gastronomia. É um evento para pensar no futuro. Futuro do potencial agrícola e de quem essa sequência dependerá. Esse é um Na Pilha! para mostrar a gurizada que vem estudando e realizando projetos visando justamente o amanhã da agricultura.

Orgulho de ser agricultora

Um exemplo bem bacana de jovens que moram e querem continuar no meio rural vem de Linha Santana, interior de Venâncio Aires. Em uma propriedade de lá, mora Andressa Rafaela Richter, 19 anos. Formada em 2015 na Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc), Andressa conta que foram muitos aprendizados relacionados ao dia a dia de agricultora. 'Comecei a conhecer minha propriedade, vê-la com outros olhos, estudar o meio em que vivo (propriedade, comunidade, município) para no final elaborar um projeto que viesse a acrescentar mais uma renda para a família.' O projeto da Andressa foi sobre produção de mudas de hortaliças, mas atualmente não está aplicado na propriedade, pois o serviço está focado na produção de gado leiteiro e suínos. A jovem agricultora, aliás, irá participar da Agrofeira, onde levará para exposição duas terneiras da raça holandesa.

Destacando o orgulho de ser agricultora, Andressa Richter revela que trabalhar no meio rural é difícil. 'Produzir não é fácil, pois não depende somente do seu esforço, depende muito da vontade da natureza e da vontade do mundo. Minha intenção é continuar na agricultura, pois é o que sempre fiz e o que amo fazer.' Ela reforçou ainda a importância de pensar em projetos para a agricultura e os principais desafios de próximas gerações. ' Um exemplo é a aquisição de terras que está quase impossível para quem quer começar do zero sua propriedade, suas produções. O jovem tendo tantas barreiras para ficar no interior resolve ir para a cidade, que é vista como sendo uma vida mais fácil.'

Foto: Divulgação / Arquivo pessoalCriação de suínos é uma das principais atividades da família da Andressa em Linha Santana
Criação de suínos é uma das principais atividades da família da Andressa em Linha Santana

O incentivo nas escolas

Mesmo aquele jovem que não mora no interior ou que sua família não trabalha na agricultura, pode se interessar pelas questões agrícolas. Dois exemplos estão na Escola Estadual Wolfram Metzler, no bairro Bela Vista, em Venâncio Aires. David Thiago Vedoy e Ana Carolina Bienert, ambos com 16 anos, estudam no 2º ano do ensino médio integrado ao curso Técnico em Agroindústrias.

David mora na Linha Bem Feita e os pais não são agricultores. Mesmo assim, sempre recebeu incentivo para seguir estudando nessa área. O jovem conta que tem um projeto relacionado à ovinocultura. 'Se chama 'A valorização do consumo de carne de ovelha'. Inclusive já tenho encaminhado um estágio em uma cabanha que irá participar da Agrofeira', destaca. Para o futuro, David revela que gostaria de empreender e ter a própria agroindústria, voltada para produtos derivados do leite.

Já a Ana Carolina, que mora no bairro Gressler, tem seu projeto relacionado ao consumo de ovos de galinha. 'A ideia é desmistificar esse produto, que já foi vilão e mocinho na alimentação humana. Algo tão simples, mas tão importante entre os alimentos', explica. Dando seguimento ao projeto, a Ana vai participar, em agosto, em Santa Maria, da Mostra das Escolas Estaduais de Educação Profissional. Sem revelar maiores detalhes, ela apenas contou que se trata de algo relacionado à produção de ovo em pó.

Atualmente, o Técnico em Agroindústrias integrado ao ensino médio não é a única relação da Wolfram com a parte agrícola. Hoje, para os alunos do 1º ao 5º anos do turno integral já há disciplinas introdutórias. Para a diretora Elida Klamt, o Brasil deveria apostar mais nesse tipo de ensino. 'É trazer os alunos para cursos técnicos e profissionalizantes. Claro que exige trabalho e mais profissionais. Mas dá certo e vale a pena.'

Foto: Débora Kist / Folha do MateNo futuro, David quer empreender e ter a própria agroindústria
No futuro, David quer empreender e ter a própria agroindústria
Foto: Débora Kist / Folha do MateAna Carolina irá participar da Mostra das Escolas Estaduais de Educação Profissional
Ana Carolina irá participar da Mostra das Escolas Estaduais de Educação Profissional

Saiba mais

Os Pilhados desta edição vêm de instituições com foco na agricultura. A Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc) ocupa as dependências do Seminário São João Batista em Linha Santa Cruz para o internato, além da estrutura da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unics) para realizar as atividades de formação. Ao final de três anos e meio de estudos, o aluno receberá certificado de conclusão do Ensino Médio, bem como a habilitação de Técnico Agrícola.

A Escola Estadual Wolfram Metzler, localizada no bairro Bela Vista em Venâncio Aires, possui o Técnico em Agroindústrias integrado ao ensino médio, mas os cerca de 500 alunos têm contato com a terra, animais e plantações desde as séries iniciais.

Nesse incentivo para os jovens trabalharem com a agricultura, aqui vale destacar ainda um projeto já realizado há três anos em vários municípios do Vale do Rio Pardo, entre eles Venâncio Aires. Através do Programa de Aprendizagem Profissional Rural, do Instituto Crescer Legal, centenas de jovens filhos de agricultores passam por cursos e têm contratos como jovens aprendizes em parceria com fumageiras.


Fisk