Arquivo X e o problema em reviver séries

No Controle
por: João Pedro Filippe
Data: 01/03/2016 | 14:30


Primeiramente, eu adoro Arquivo X. Não acredito que tantos seriados de ficção científica fenomenais teriam sido criados se não fosse pela grande colaboração deste, que foi um dos mais importantes do gênero e da década de 1990. Porém, o retorno para uma mini-temporada de seis episódios foi uma bomba atômica pior que a volta da Kelly Key.

Não deveria ser uma surpresa, visto que praticamente todo mundo temia que fosse ser apenas um serviço aos fãs; também não deveria ser uma surpresa se o retorno não possuísse exatamente uma história boa para contar. Mas foi muito pior que isso. Então, aqui fica o convite: vem junto pra dissecar a décima temporada de Arquivo X!

Começamos a temporada com Tad O"Malley, apresentador de um webshow popular contatando Mulder e Scully para o ajudarem a provar suas teorias sobre a) alienígenas e b) governo utilizando ferramentas secretas para manipular a população.

Segue a mesma linha anterior, só que agora com os protagonistas mais velhos e céticos. A premissa é interessante, mas para qualquer desenvolvimento importante e crucial, só avançando para o último episódio. Ou seja: de seis episódios apenas dois realmente contribuem para a mitologia, com os outros sendo casos semanais - engraçados e interessantes, claro, porém completamente irrelevantes.

Alguns outros pontos sobre a volta de Arquivo X:
O que foi aquela apropriação das tecnologias e serviços que temos hoje em dia? Os personagens utilizam seus smartphones de forma que nem minha vó utiliza, falam 'Uber!' no meio de um diálogo apenas para não parecerem como o tio velho que não sabe mais o que é popular e nem me perguntem o que achei da cena em que Mulder tira fotos do caso da semana sem parar com o celular porque 'é o que todo mundo faz'. Ah, e o final foi pior que o de Heroes no sentido de que deixou muito em aberto e precisando de esclarecimentos.


Com um aumento de escala do que estou dizendo, vemos que Arquivo X não é um caso isolado, e sim mais um desta recente epidemia que tem surgido dentro das emissoras de televisão chamada 'trazer seriados mortos de volta para a vida (só porque podemos)'. Não é algo novo: já vimos isso em Heroes Reborn e Arrested Development, e provavelmente iremos ver de novo em Fuller House e Twin Peaks.

De um ponto de vista lucrativo, claro que é ótimo trazer de volta produções amadas e que são parte enorme da cultura pop de hoje em dia, afinal as pessoas gastarão dinheiro com merchandising e irão consumir o conteúdo, sendo bom ou não. Mas do ponto de vista de um fã é uma catástrofe. Sabe quando alguém diz 'se você não tem nada bacana pra dizer, não diga nada'?

Então, é mais ou menos isso que penso, só que retiro o "bacana". Se não existem motivos para trazer um seriado de volta à vida além de fazer (mais) dinheiro com isso, deixa o bicho quieto, eu imploro. Não há nada pior que um fã ver seu seriado favorito ser arruinado por uma história meia-boca ou perder completamente a essência e energia que possuía.