Na Pilha!

Adolescência: uma fase especial pra todos

Da edição
por: Débora Kist
Data: 29/03/2018 | 09:30

A transição entre a infância e a idade adulta costuma ser um período de dúvidas, descobertas e desenvolvimento. Isso faz parte do processo evolutivo de qualquer adolescente e não é diferente para pessoas com síndrome de Down. Especificamente nesse mês de março, em que há uma data (dia 21) para promover a discussão sobre alternativas sociais acerca da síndrome de Down, o Na Pilha! conversou com três adolescentes que estudam na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Venâncio Aires. Eles falaram de seus gostos, seus desejos, da escola e sobre o mercado de trabalho. A conversa contou com a participação das profes Grazi, Marilana e Cirlane, que também falaram sobre o trabalho na escola. Confere aí!

O dia a dia de nossos Pilhados!

Larissa Pereira, 19 anos
Como ela mesma destaca, 'o dia é sempre muito corrido'. A rotina da Larissa inclui ajudar a mãe Elisângela nas tarefas domésticas e frequentar o EJA todas as tardes na Apae. Vaidosa, ela mantém cuidados especiais com o cabelo, a maquiagem e não deixa de passar perfume. Na escola desde os três meses de vida, hoje ela destaca que gosta de ler, escrever e participar de grupos de dança e teatro. No fim de 2017 ela foi Julieta, aquela Julieta da obra universal de William Shakespeare. Com idade para atuar no mercado de trabalho, Larissa já fez um curso do Senai e foi convidada para trabalhar em uma fumageira. Mas a opção da família, por enquanto, é mantê-la estudando. Larissa participa de vários projetos e em 2017 representou a Apae na sessão especial do Legislativo 'Vereador Mirim'.

João Vítor Velnecker, 15 anos
Ele mora em Vale Verde e todos se desloca para estudar em Venâncio Aires. Não bastasse a logística, ele tem disposição de sobra para participar de todas as atividades propostas pela Apae, principalmente no curso de culinária. Como adora fazer aniversário, João curte ajudar na preparação de bolos. Também já ensaiou alguns golpes de jiu-jitsu, esporte praticado pelo irmão. Fã de música sertaneja e da dupla Jorge & Mateus, o João canta e compõe! Ele até deu uma palinha pro Na Pilha!

Maria Helena Sterz, 14 anos
A Maria é a mais nova dos três entrevistados, mas igualmente tem uma rotina bastante movimentada. Aluna das turmas de AVDs (Atividades de vida diária), ela diz que o que mais gosta de fazer na escola, que frequenta desde os dois meses de vida, é escrever e pintar. Em casa, ajuda a mãe Lisete nas tarefas domésticas, com a família ela curte andar a cavalo e frequentar o Parque do Chimarrão para torcer pela Assoeva. Pensando no futuro, Maria revela que quer continuar estudando para ajudar no trabalho da irmã Gabriela, que é psicóloga.

Foto: Régis Fabris / Folha do MateProfes Grazi, Cirlane e Marilana com os alunos Maria, João e Larissa
Profes Grazi, Cirlane e Marilana com os alunos Maria, João e Larissa

Fala aí, professor!

Das pequenas grandes conquistas
Ter acesso a uma educação com qualidade traz benefícios pessoais para toda uma vida e os processos necessários para isso dependem de algumas condições. No caso das pessoas com síndrome de Down, os principais focos são a alfabetização e as atividades que visam a autonomia.

Na Apae de Venâncio Aires, o desenvolvimento acontece respeitando a particularidade de cada um. Segundo a professora Marilana da Silva Weber, o objetivo é conduzir os alunos às questões práticas. 'Pensamos sempre na autonomia deles, porque eles têm condições de realizar muitas coisas. Respeitamos a característica de cada um e, através da orientação e do estímulo, eles podem pensar na continuidade dos estudos e no mercado de trabalho. Aprimorando essa autonomia, vem a condição de se ter visão de mundo'.

A professora Cirlane Regina da Rosa, que já trabalhou em escola regular, diz que como qualquer adolescente, muitas dúvidas vêm à tona. 'Se olhar e se perceber, entender que estão passando por uma nova etapa, que estão crescendo, tudo faz parte do processo. Para nós, o que pode ser algo pequeno e corriqueiro, para eles é significativo. E a sociedade precisa ter esse mesmo olhar'.

Já a professora Grazieli Winkelmann destaca que tudo isso é trabalhado com a família. 'Muitos pais, preocupados em protegê-los, às vezes têm dificuldades de perceber que os filhos já têm autonomia para muitas coisas. Mas, quando veem do que são capazes, é uma conquista para todos'.

A escolarização também é importante no processo de socialização. Com o desenvolvimento de vários projetos dentro da Apae, como o Tampinha Legal e o minhocário em parceria com a Emater, os alunos são estimulados à aprendizagem e ao conhecimento do ambiente em que vivem, na relação com outras pessoas e setores da sociedade.


Fisk